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Os Grandes Escândalos de Espionagem dos Últimos 50 Anos

Existe um mundo paralelo ao que vemos. Um mundo de câmaras ocultas, microfones em canetas, satélites que lêem matrículas de automóveis e algoritmos que varrem milhões de conversas privadas por segundo. Durante décadas, esse mundo foi apanágio dos romances de John le Carré. Depois, virou realidade confirmada por documentos classificados.

Os últimos cinquenta anos foram um catálogo ininterrupto de revelações que abalaram a confiança entre nações, entre governos e cidadãos, entre aliados que se espiavam mutuamente enquanto assinavam tratados de cooperação. A Guerra Fria forneceu o palco inicial: o KGB e a CIA travam uma guerra subterrânea de duplos agentes, mensagens em código e assassinatos disfarçados de suicídios. Mas quando o Muro de Berlim caiu, a máquina de espionagem não desacelerou — reinventou-se.

O 11 de Setembro de 2001 foi o catalisador que tudo transformou. Em nome da segurança, governos ocidentais construíram arquitecturas de vigilância de uma escala sem precedentes na história da humanidade. A NSA americana passou a recolher, em tempo real, os metadados de biliões de chamadas telefónicas, correios electrónicos e mensagens. O GCHQ britânico interceptou o tráfego de cabos submarinos que transportam a comunicação de continentes inteiros. Tudo em segredo. Tudo sem conhecimento dos cidadãos que supostamente protegiam.

Foi preciso um homem com acesso privilegiado e uma consciência que não se calou — Edward Snowden — para que o mundo soubesse a verdade. Em 2013, os documentos que entregou aos jornalistas revelaram que a NSA espionava líderes aliados, incluindo Angela Merkel e Dilma Rousseff, e que grandes empresas tecnológicas como Google, Facebook e Microsoft colaboravam — voluntária ou compulsoriamente — com os serviços de inteligência americanos.", "Mas a espionagem não é apenas americana. A Rússia assassinou dissidentes em solo europeu com veneno de novichok e polónio radioactivo. A China construiu uma das maiores operações de ciberespionagem industrial da história, roubando propriedade intelectual ocidental em terabytes. Israel desenvolveu o spyware Pegasus, vendido a governos autoritários que o usaram para vigiar jornalistas, activistas e opositores políticos. A espionagem democratizou-se: já não é monopólio das superpotências.

O que une todos estes escândalos é uma verdade incómoda: os que nos prometem segurança são, muitas vezes, os que mais nos vigiam. O inimigo externo justifica o aparato. O aparato vigia a todos. E quando alguém ousa revelar isso, torna-se ele próprio o inimigo.

Não há privacidade. Nunca houve. Apenas a ilusão, cuidadosamente mantida, de que as suas palavras eram suas.

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